×

Professores já deveriam estar vacinados, defende advogado Luiz Paulo

Falta de imunização aos profissionais da educação tem sido uma das dificuldades para o retorno às aulas presenciais.

Dr. Luiz Paulo ao lado dos professores do Centro Educacional Maria Matilde no Vale do Paraíso/RO.

“É inadmissível que num país com a necessidade extrema de investimentos em educação pública e de qualidade, que seja universal a toda população, não é possível que os grandes artífices deste trabalho não sejam tratados como prioridade”. A afirmação é do advogado Luiz Paulo Batista, que defendeu a inclusão imediata dos professores das redes pública e privada no programa de imunização do estado de Rondônia. Para o profissional da advocacia, que também é jornalista e secretário-geral dos Progressistas no estado, a demora em imunizar os profissionais do setor educacional acarreta prejuízos gigantescos para toda a sociedade, pois apenas com a vacinação contra a Covid-19 estendida aos professores será possível o retorno às aulas presenciais.

“Se a nossa Constituição diz que a criança e o adolescente são prioridade absoluta, quem os ensina, os acolhe e dá atenção na escola também devem ser, pois fazem parte de uma rede de proteção, logo devem estar protegidos contra esse mal que assola o mundo inteiro”, afirmou Luiz Paulo, em conversa com professores da Escola Maria Matilde, no município de Vale do Paraíso/RO, na última quarta-feira, 12/05. Para ele, que é filho de professor e desde cedo aprendeu a respeitar e valorizar essa profissão, a exclusão dos membros da comunidade escolar da lista de prioridades também relegou as crianças da oportunidade de voltar a ter a sociabilidade, a interação entre colegas e toda repercussão pedagógica, social e humana decorrente da participação na sala de aula e no ambiente escolar.

Como ressalta o advogado, para pais que têm condições de trabalhar de casa e dar atenção às tarefas e atividades feitas via internet, o prejuízo também existe, mas é incomparável ao daqueles pais que não puderam ter essa oportunidade, que trabalham na segurança pública, no transporte, na área de saúde, nos supermercados, aqueles que não podem ficar em casa e acabam deixando a educação dos filhos em segundo plano, por uma questão de sobrevivência. Sem essa condição, as crianças e adolescentes acabam por passar muito tempo ocioso em casa, sendo alvo provável para a cooptação por criminosos e aliciadores. “Eu já fui comissário de menores e vi várias situações em que essa vulnerabilidade acaba sendo um problema pra sociedade inteira”, disse o advogado.

Dr. Luiz Paulo tocou ainda noutra situação caótica, que é aos alunos das escolas nas comunidades ribeirinhas, a grande maioria sem acesso à internet, logo sem aulas desde o começo da pandemia. “E os alunos das escolas rurais? Que já sofrem o ano inteiro em condições normais pela falta de conservação das estradas vicinais e agora, em alguns municípios não conseguem receber uma lição para fazer em casa e respectivamente serem acompanhados.

Com as vacinas nos braços dos professores e das professoras e demais membros da comunidade escolar de todo o Estado, teremos a segurança necessária para que as aulas sejam retomadas e as nossas crianças poderão enfrentar essa enorme perda que já se acumula. Sem aulas presenciais ou sem aula alguma, estão vulneráveis também ao adoecimento mental, ansiedade, depressão, e ao grande risco da evasão escolar”, alertou o advogado, ao destacar aos professores e funcionários da escola em Vale do Paraíso seu posicionamento em defesa da classe e da educação.